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terça-feira, novembro 22

Investimentos: atenção ao risco de se projetar rentabilidade

 

Fernanda de Lima, 09/11/05, InfoMoney


SÃO PAULO - Uma frase bastante comum, quando se fala de investimento, é que a "rentabilidade passada não é garantia de ganho futuro". Apesar disto, muitos investidores não prestam atenção no significado desta afirmação e continuam se baseando na rentabilidade histórica para projetar o retorno de suas aplicações.

Mesmo entre as aplicações de perfil mais conservador, como a renda fixa, onde o retorno do investimento é mais estável, existe um risco considerável em se projetar o ganho de uma aplicação com base na rentabilidade passada. Em um cenário como o atual, por exemplo, em que a maioria dos analistas aposta em uma redução dos juros, o retorno atual de um fundo DI pode não ser o mesmo nos próximos meses.

Mesmo na renda fixa é preciso cuidado
Imagine então a situação de quem projetou o retorno de suas aplicações em fundos de renda fixa com base no retorno auferido por estes fundos quando a taxa básica de juros, a Selic, estava em 26,5% ao ano, ou seja, seis pontos e meio acima do patamar atual?

Para ilustrar melhor esta diferença, vamos assumir, por exemplo, que os fundos DI rendem em média 90% do CDI. Nesse caso, naquela época o rendimento médio desses fundos em 12 meses seria de 23,85% (ou 90% da Selic que era de 26,5%). No momento, com a queda da Selic, o rendimento destes fundos em 12 meses é de cerca 18%, segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Isso significa que para uma aplicação de R$ 10 mil, a diferença para um prazo de 12 meses seria de cerca 4%, ou R$ 516.

Dificuldade aumenta com volatilidade
A situação é ainda mais delicada quando a projeção de resultados envolve aplicações de perfil mais volátil, como em renda variável, por exemplo. Ao contrário das aplicações em renda fixa, e como o próprio nome já sugere, na renda variável é impossível prever o retorno da aplicação.

Basta ver que enquanto a alta nos últimos 30 dias é de 3,33%, no acumulado de 12 meses, o retorno médio mensal é menor, de 2,4%. Por outro lado, se utilizássemos o retorno médio anual registrado em 2003, ele seria de 5,6%, enquanto em 2002, essa média seria negativa em 1,7%!

É exatamente esta diferença que ilustra a dificuldade de se usar o retorno passado na projeção de resultados futuros, e evidencia que quanto maior a volatilidade do retorno de uma aplicação maior a dificuldade de se projetar resultados.

Projeção é ainda mais difícil no longo prazo
A dificuldade também aumenta, na medida em que o período para o qual se projeta a rentabilidade cresce. Portanto, se projetar o retorno de uma aplicação nos próximos 12 meses é difícil, ainda é possível contar com a estimativa dos analistas para as taxas de juros dos próximos 12 meses.

Porém, quando o horizonte de projeção aumenta, é preciso levar outros fatores em consideração, como a tendência para a inflação e, conseqüentemente, para os juros. Além disto, existem os aspectos fiscais. A alíquota de imposto de renda, por exemplo, pode mudar, como, aliás, aconteceu no caso dos investimentos em ações, cuja alíquota de tributação era de 10% até 2001, subiu para 20% entre 2002 e 2004, para então cair novamente em 2005 para 15%.

Também é possível que outros custos mudem. Este é o caso, por exemplo, da CPMF, que pode deixar de existir ou ter sua alíquota reduzida, ou o caso das taxas de administração que podem ser reduzidas diante de competição.

Diferença cresce com prazo
Neste contexto, as projeções ficam ainda mais difíceis, pois o número de variáveis a serem consideradas aumenta. Além disto, quanto maior o prazo da projeção, maior a discrepância no valor final de pequenas diferenças entre a taxa efetiva e a taxa projetada.

Por exemplo, vamos imaginar que você queira saber o quanto terá depois de 12 meses, ao aplicar R$ 10 mil em um fundo DI, assumindo que o retorno líquido da aplicação seja de 1,2% ao mês. Qual seria o impacto nas suas reservas se, na prática, esse retorno fosse de 1,15%? A tabela abaixo compara a diferença de retorno para prazos distintos de tempo, assumindo o investimento de R$ 10 mil.

Prazo

Valor projetado

% Erro

12 meses

R$ 11.539

(0,59%)

60 meses

R$ 20.456

(2,92%)

120 meses

R$ 41.846

(5,76%)

Exatamente por isto, recomenda-se que, ao projetar o retorno de um investimento por um prazo mais longo, o investidor adote uma postura mais conservadora, e opte, por exemplo, em descontar a inflação. Este é um procedimento bastante comum entre investidores de grande porte, por exemplo, que projetam a taxa de juros já descontando a inflação, o que permite uma visão mais realista do valor acumulado.

Isso ocorre porque já se leva em consideração a perda de poder aquisitivo do dinheiro, já que, daqui a dez anos, será possível comprar bem menos com R$ 10 mil do que hoje. Uma forma de fazer isso é projetar o retorno em termos reais. A maior parte dos analistas recomenda que se projete um retorno real, ou seja, acima da inflação, de 6% ao ano.

 


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