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terça-feira, novembro 22

Divulgação de resultados: saiba como selecionar as variáveis mais relevantes

Equipe InfoMoney, 10/11/05


SÃO PAULO - Quem acompanha de perto o mercado de ações sabe a importância que a divulgação de resultados de uma empresa pode ter sobre os seus papéis. Afinal de contas, os resultados servem como importantes indicadores do desempenho da empresa, dando elementos para a avaliação do quanto vale a companhia.

A análise dos resultados, no entanto, não é uma tarefa fácil. Em primeiro lugar, é fundamental determinar quais são as variáveis mais importantes. Será que o mercado está olhando mais de perto o lucro, o crescimento das receitas, da geração operacional de caixa, ou outra variável?

Outro ponto importante diz respeito à comparação dos resultados com trimestres anteriores ou com a expectativa dos analistas. Como explicar que muitas vezes as ações caem após a divulgação de resultados, mesmo com um lucro superior ao passado?

Variáveis mais importantes
Não existe
uma opinião única sobre qual é a variável mais importante a ser analisada. Além disso, a análise de empresas varia de setor para setor, com algumas variáveis, como a geração operacional de caixa, por exemplo, não sendo calculadas para empresas que atuam no segmento financeiro, como bancos.

No entanto, em termos práticos, o mercado parece acompanhar mais de perto três variáveis: receitas líquidas, lucro líquido e Ebitda, a mais utilizada medida de geração de caixa. Neste contexto, vale a pena analisar as vantagens e desvantagens de cada uma.

Receita e lucro
A receita líquida pode dar uma boa idéia do que acontece com o faturamento da empresa, mas não traz elementos para avaliar um quadro completo, já que todos nós sabemos que não adianta aumentar as receitas em 50% se as despesas sobem o dobro disso. Porém, principalmente para empresas em fase de crescimento, este é um indicador interessante a ser analisado.

Já o lucro (ou prejuízo) é certamente aquele que mais chama a atenção do público em geral. No entanto, este é possivelmente o indicador mais difícil de ser previsto, pois surge como resultado tanto de elementos operacionais como não operacionais, que muitas vezes podem afetar este indicador de forma significativa.

O lucro líquido pode trazer uma visão distorcida do que ocorre com a empresa, pois muitas vezes um resultado operacional ruim pode ser "mascarado" por elementos não operacionais, como vendas de ativos, reversão de provisões ou mesmo pelo resultado financeiro, sobretudo ganhos ou perdas cambiais.

Geração operacional de caixa: favorito dos analistas
Se existe um indicador preferido pelos analistas, embora seja importante ressaltar que não existe consenso, este é o Ebitda, que mede a geração operacional de caixa. Também conhecido como Lajida, a abreviatura de Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, este indicador se tornou muito popular nos últimos anos, por excluir diversos itens não operacionais.

Embora também seja alvo de críticas, principalmente pela falta de padronização no seu cálculo por parte das empresas, o Ebitda aparece como uma importante medida de desempenho operacional, ao medir efetivamente o quanto de caixa a empresa gerou a partir de suas atividades operacionais.

Qual comparação?
O segundo ponto diz respeito ao desempenho relativo da empresa: saber que a companhia X gerou um Ebitda de R$ 100 milhões pode indicar muito pouco, se este número não for comparado com o seu desempenho passado e com a expectativa dos analistas. Daí valer a pena entender qual o melhor patamar de comparação.

Dado que a grande maioria das empresas apresenta padrões sazonais de funcionamento, a comparação mais utilizada em relação ao desempenho passado da empresa é a análise frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Assim, na maioria dos casos, vale a pena checar se o desempenho no terceiro trimestre deste ano ficou acima ou abaixo do mesmo período do ano passado.

Porém, esta não é uma regra universal, já que muitas vezes é importante comparar os números com o trimestre imediatamente anterior, principalmente no caso de empresas com forte crescimento ou que passaram por alterações (fusões, aquisições, reestruturações, etc) nos últimos doze meses.

Expectativa dos analistas: eficaz, mas complicado
Embora a análise com trimestres anteriores seja importante, muitas vezes isso traz poucas novidades, pois pode refletir fatos que já eram de conhecimento do mercado. Assim, a divulgação de um lucro ou Ebitda menor pode não derrubar uma ação, pois isso já era esperado pelo mercado e os papéis já precificavam este fato.

Como o mercado trabalha na hipótese de que todos os fatos conhecidos já estão precificados no preço da ação, ganha muita importância comparar os resultados divulgados pelas empresas com as projeções feitas pelos analistas. Estes profissionais de mercado, qualificados para a análise de empresas, acabam servindo como referência e, com suas previsões, orientam o mercado.

Desta forma, qualquer desvio dos resultados em relação ao projetado pelos analistas deveria trazer implicações sobre as ações, já que, na teoria, traz um fato novo que não era de conhecimento ou entendimento do mercado, justificando uma queda ou alta nas ações.

Porém, mesmo esta comparação está sujeita à críticas. Em primeiro lugar, não é fácil obter uma medida consistente de consenso de mercado, já que muitos analistas divulgam suas informações apenas para seus clientes, dificultando a compilação dos dados. Além disso, mesmo que todos os analistas sejam consultados, ainda existem diferenças na forma no qual o mercado precifica a opinião de cada analista, ou seja, a opinião de alguns pode valer mais do que de outros.

Mesmo com todas estas dificuldades, vale sempre a pena acompanhar os principais indicadores divulgados, com destaque para o Ebitda, e comparar estes dados com o previsto pelos analistas. Embora estas comparações possam apresentar falhas, elas ainda servem como a forma mais prática para analisar de forma rápida um resultado de empresa.

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