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terça-feira, novembro 22

Cavaleiros da governança

OCDE e IFC escolhem as 8 empresas com melhor tratamento ao acionista na América Latina, 6 delas do Brasil

Danilo Fariello, Valor Online

Das oito empresas com melhores políticas de governança corporativa na América Latina, seis são brasileiras. Fazem parte desse grupo as brasileiras CPFL Energia, CCR, Natura, NET, Ultrapar e Suzano, além da colombiana Cemento Argos e da mineradora peruana Buenaventura. A seleção é da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em parceria com o Empresa de Financiamento Internacional (IFC, na sigla em inglês), o braço financeiro do Banco Mundial. As experiências dessas empresas transformaram-se em um livro, "Estudos de Caso de Boa Governança Corporativa", que será lançado hoje na Bovespa.

O Brasil destaca-se por ter um mercado bastante desenvolvido no segmento, principalmente por causa de iniciativas de auto-regulação, avalia José Guimarães Monforte, integrante do Conselho de Administração da Natura e presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

O objetivo é fazer das escolhidas um exemplo para as concorrentes e fonte de inspiração para o mercado, afirma a consultora Sandra Guerra, ex-integrante do Rede Internacional de Governança Corporativa (ICGN, na sigla em inglês) e idealizadora do Círculo das Companhias, que engloba as oito empresas. A iniciativa é importante ao valorizar o papel do acionista minoritário e dar a ele garantias de que não será prejudicado em caso de venda da companhia ou nas decisões mais importantes para o futuro do negócio.

Respeitar alguns critérios é fundamental para que as empresas tenham bom acesso a fontes de financiamento baratas, como o mercado de ações, diz João Nogueira Batista, vice-presidente do Grupo Suzano. "No Brasil, a governança corporativa é mais importante, porque o crédito externo é difícil e os empréstimos no mercado interno são caros."

A partir de hoje, essas companhias vão trabalhar para disseminar mais informações, aumentar o contato com investidores, discutir regras para receber mais empresas nesse círculo, além de debater propostas de avanços nos conceitos mundiais de governança. "Tenho certeza absoluta de que esse grupo crescerá, mas com regras que preservem a exclusividade de ter apenas empresas responsáveis", diz o presidente da CCR, Renato Vale.

O livro traz os desafios de cada companhia para conquistar graus elevados de respeito ao acionista. As empresas envolvidas buscam também uma troca maior de experiências para desenvolver seus sistemas de governança. "Obviamente, quero ver o que as outras estão fazendo", diz Vale.

Como resultados dos processos descritos no livro, destaca Batista, da Suzano, verifica-se a maior capitalização das companhias e a valorização das ações. No livro, como resultado da adoção de novas práticas, todas as empresas apresentam aumento de emissões, em geral bem sucedidas, e alta do preço das ações negociadas em bolsa, com poucas exceções.

Segundo a consultora Sandra, os casos serão apresentados para grandes investidores, daqui e do exterior. No lançamento de hoje na Bovespa, estará John Wilcox, vice-presidente sênior e responsável por assuntos de governança corporativa do TIAA-CREF, um dos maiores fundos de pensão dos Estados Unidos. Wilcox, que foi integrante da ICGN, diz que, para o investidor, mais que a valorização do papel, a maior vantagem em ser acionista dessas empresas é ter riscos menores. "Companhias que adotam essas atitudes reduzem o risco de surpresas negativas ao acionistas, como as verificadas na Enron e na WorldCom." As duas companhias americanas ficaram famosas por maquiar balanços.

O histórico mostra que essa redução de risco se reverte na maioria das vezes em valorização dos papéis. O Índice de Governança Corporativa (IGC), que envolve as empresas listadas nos Níveis 1 e 2 e no Novo Mercado da Bovespa, ou seja, que assumiram critérios de governança, sobe mais. Enquanto o Ibovespa avançava 18,73% no ano, até sexta-feira, o IGC subia 33,52%. No entanto, Wilcox não vê com bons olhos outras tradições do mercado brasileiro como a existência de ações preferenciais (PN), que não dão direito a voto.

Sobre as críticas de que é custoso para empresas adotar práticas de contabilidade, transparência e distribuição de informações, entre outras, Jeffrey Singer, vice-presidente para América Latina da bolsa eletrônica Nasdaq, diz que importa a conquista de confiança do investidor. "Confiança também tem um preço, que vale a pena ser pago." Singer esteve ontem no 6º Congresso Brasileiro de Governança Corporativa, do IBGC.

Wilcox defende a adoção no Brasil e no mundo das regras incluídas na lei americana Sarbanes-Oxley, criada para tornar mais rigoroso o controle financeiro após as quebras de Enron e Worldcom. A lei é criticada por aumentar custos. "Mas ninguém pode acreditar numa empresa que não quer adotar um sistema eficiente de controles financeiros", diz ele.

 

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